Com Maria, avançamos ‘mar a dentro’ rumo à JMJ

“Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos” (Lc 1,53)

Acredito que muitos aguardam ansiosos a chegada da JMJ 2019 no Panamá. Para que esta espera se torne esperança e alegria no Espírito Santo, continuemos a nossa meditação para esse momento caloroso de encontro.

Pensemos que Deus sempre dá o primeiro passo em nossa direção, pronuncia o nosso nome e desafia: Segue- me! Vamos adiante! Coragem! Estarei contigo por toda a vida! Ao nos encontrar, nos desafia a saciar a sede com a “água viva” e a fome com o “pão da vida”, porque quando pensa ou nos olha, sabe que nosso coração tem fome, tem sede e quer ser saciado. Como resistir a tal desafio de “beber e comer” com confiança? Como abandonar todo controle da vida a essa voz que encanta? Como tomar outro rumo indicado por Ele? Como ter a certeza de que é esse o caminho, sendo que Ele provoca com suas palavras certo desajuste, deixando nossas certezas tão abaladas e fragilizadas? Pois bem, a voz que chama é do Amor. O Amor sempre se antecipa! (1 Jo 4,19)

Cada um de nós tem, em sua historia de vida, confrontos que provocaram ferimentos interiores, que nos conduziram a desconfiar, e são exatamente esses ferimentos que, tocados por Jesus, revelaram a confiança. Confiar destemidamente, confiar olhando sempre à frente e, quando olhar para traz, romperá um grande louvor pelo que foi vivido e que abriu caminho para o agora confiante. Confiar que Ele não apenas existe, mas que sacia toda sede e fome de amor. Porém, precisamos da graça de Deus para que tudo possa acontecer segundo seu amor. Também é necessário que nos abramos a esse tempo de graça.

Acolher a graça de entrar no processo de seguimento de Jesus é experimentar o que Maria relata em seu cântico de louvor, o Magnificat: “Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos” (Lc 1,53). Maria confiou no mistério do chamado, depositou sua confiança em uma proposta que não cabia em esquemas pré-determinados, que rompia limiares. Não estava ela instalada em si mesma, estéril, fechada ao novo. Ao contrario, estava rendida ao amor, a uma relação íntima com o Pai no Espirito e, por isso, gerou na fé, confiante, Jesus. Um grande mistério de estar só para Deus e para a sua vontade. Tão pobre que permitiu àquele que é tudo fazer  habitação em seu ser. Vivia sua abertura à graça e, por isso, pôde escolher. Sua escolha expandiu vida, salvação, vontade de amar que o Pai sempre manteve viva no seio da Santíssima Trindade. Extravasou alegria de quem está saciada de bens, de bens divinos, eternos! Não bens perecíveis, ofertados como hoje em nossa cultura tão descartável, com valores tão relativizados.

Uma grande expressão de docibilitas, generosidade, gratidão, leveza, firmeza de convicções fundadas no conhecimento de quem é Deus. Maria contrapõe o cenário de hoje, de tantos que  trazem em si o fechamento no egoísmo, manifestando violência contra si, contra o outro e contra Deus, não porque não amados, mas porque precisam descobrir, ouvir, sentir o Amor amando. Precisa-se hoje de anunciadores que, saciados dos bens divinos, possam gritar ao coração de cada homem que Jesus é o Senhor amoroso.

Temos na Sagrada Escritura o relato de um diálogo entre Jesus  e um jovem. Muito interessante que, assim como Maria jovem,  esse também é um jovem, como você também foi ou é um jovem. Estamos mergulhados nessa realidade de sedentos. Aqui duas sedes se fundem: Jesus tem sede de

amar o jovem e o jovem tem sede de amor, de um amor que eterniza, sede de vida eterna. Parece que sua vida não experimenta a leveza da graça de viver no Espírito Santo, então “Jesus fita nele o olhar, ama-o!” (Mc 10,21). E o jovem? Ele transmite-lhe um olhar de tristeza ao ouvir sua proposta, abatimento por possuir muitos bens, mas falta-lhe coragem de deixar o que pode até ser bom, por algo melhor ainda. Saiu de mãos vazias com sua pobre riqueza. Os bens propostos não lhe pareceram transmitir vida eterna, pensou poder permanecer com a pobre riqueza desse mundo e  com os bens divinos. Um jovem que tinha suas prioridades de vida, e não se desprendeu delas para segui-lo, como fez Maria que, saciada de bens, tomou rumo novo em sua vida. Ele não se abriu à graça do crescimento, parece querer ser jovem para a vida toda, não teve destemor para romper com suas possibilidades de ter mais e mais riquezas. Teve medo, desconfiou de que o Amor é a fonte transbordante e inesgotável. O mundo de Jesus para ele pareceu amedrontador, porque cheio de leveza, abandono, responsabilidades novas, condução da vida segundo a vontade Dele para chegar até a vida eterna.

Esse jovem pensou que para seguir Jesus bastava observar os mandamentos da lei judaica, mas sua pergunta era: “Que farei para alcançar a vida eterna?” (Mc 10,17), como segui-lo para chegar lá? Um jovem que se coloca de joelhos num ato de reverência externa, com desejo talvez de mudança de vida mesmo, mas que ainda adora a si mesmo. Está fechado ao relacionamento com Jesus e sua proposta, paralisado diante do próximo, não tem ainda o interior reverente. Jesus o chamou a ser discípulo, a anunciar seu amor neste curto tempo de vida que tem aqui na terra, e ele não se abriu à graça. E Jesus amou-o! Assim como te ama.

O que diria você a Jesus neste seu tempo de vida? O que precisa priorizar? Qual a proposta nova que Jesus te faz? Estará você aberto como a Virgem Maria ou é só um outro jovem rico de  uma riqueza tão perecível, ainda mais neste tempo.

O fato é que a JMJ 2019 nos traz um grande desafio, de nos tornarmos  marianos,  anunciando com a vida: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo sua palavra”. Vivamos um grande relacionamento de amor fecundo e, como Maria, possamos ser saciados. Como cantou a Virgem Maria, e também tempos antes o profeta Isaias ( Is 61,10– 62,5), cantemos também nós:

 

 

Eu exulto de alegria no Senhor,
e minh’alma rejubila no meu Deus.
Pois me envolveu de salvação, qual uma veste, e como manto da justiça me cobriu,
como o noivo que coloca o diadema,
como a noiva que se enfeita com suas joias.
Como a terra faz brotar os seus rebentos e o jardim faz germinar suas sementes, o Senhor Deus fará brotar sua justiça
e o louvor perante todas as nações.
Por ti, Sião, não haverei de me calar, nem por ti, Jerusalém, terei sossego, até que brilhe tua justiça como a aurora e a tua salvação como um farol.
Então os povos hão de ver tua justiça, e os reis de toda a terra, a tua glória; todos eles te darão um nome novo: enunciado pelos lábios do Senhor.
Serás coroa esplendorosa em sua mão, diadema régio entre as mãos do teu Senhor.
Nunca mais te chamarão ‘Desamparada’, nem se dirá de tua terra ‘Abandonada’; mas haverão de te chamar ‘Minha querida’, e se dirá de tua terra ‘Desposada’.
Porque o Senhor se agradou muito de ti, e tua terra há de ter o seu esposo.
Como um jovem que desposa a bem-amada, teu Construtor, assim também, vai desposar-te; como a esposa é a alegria do marido,
serás assim a alegria do teu Deus.

 

 

 

Mônica Beatriz Perroni Lopes
Casa de Nazaré – Iturama

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