Com Maria avançamos mar a dentro rumo a JMJ 2019

A FAMÍLIA E A TRANSMISSÃO DA FÉ

“Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”. Lc 1,50

A misericórdia é o ato de amor por excelência. Esse amor que não pode ser contido, ao ser derramado cria o mundo e, para nele viver e faze-lo progredir, cria o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. Podemos dizer que esse é o primeiro ato de misericórdia de Deus, que deseja e promete que este amor, esta misericórdia infinita, permanecerá sobre todos os que o temem, de geração em geração.

Para que essa misericórdia, esse amor seja transmitido para todas as gerações, Ele conta com o homem e a mulher que, sendo sua imagem e semelhança, são chamados a se unir em uma só carne, a gerar filhos e a eles mostrar, com seu testemunho de vida, a existência de um Deus que é amor e misericórdia. Deus quer que seus filhos nasçam e cresçam em famílias que vivam e testemunhem verdadeiramente a fé, onde encontrem o que lhes é necessário para terem vida e vida em abundância, onde possam encontrar seu caminho colocando-se à escuta do chamado de Deus, abraçando com alegria e determinação sua vocação. É na família que se acende nos corações a chama do amor a Deus, é na família que se aprende e se é impulsionado a levar essa chama para ser acesa no mundo.

Lancemos, porém, nosso olhar para as famílias dos dias atuais. Podemos dizer que hoje elas estão assumindo verdadeiramente a missão que lhes foi por Deus confiada? Estão sendo realmente a primeira escola de amor e misericórdia, vivendo e transmitindo, com seu testemunho, a fé no Deus criador de todas as coisas, que se faz presente em todos os momentos da vida, que chama a segui-lo, que mostra o caminho e dá força para percorrê-lo? Os jovens estão encontrando em suas famílias o direcionamento e o incentivo para procurar escutar a Deus na busca de sua vocação? Como estão nossas famílias?

Nos últimos 50 anos tivemos um intenso desenvolvimento no mundo, especialmente na medicina e na tecnologia. O desenvolvimento da medicina nos trouxe mais condições favoráveis para vivermos mais tempo, com maior qualidade de vida. A tecnologia, por sua vez, nos trouxe um acesso muito rápido a um número sem fim de informações. Nunca foi possível saber tão rapidamente tudo o que acontece em cada canto do mundo: comunicamo-nos num piscar de olhos e a pesquisa sobre qualquer assunto faz com que possamos saber de tudo um pouco. Porém, apesar de todo esse desenvolvimento, de todas essas facilidades, vemos com tristeza que o ser humano não progrediu psicológica e espiritualmente na mesma medida.

Hoje vemos jovens que não vêem sentido na vida, que não conseguem mais dialogar, falar de si mesmo, ouvir o outro, não conseguem se olhar e olhar o outro, não conseguem sentir e se doar ao outro, jovens que não encontram seu caminho, que não se sentem amados, que não se voltam para Deus, que não se abrem ao seu amor, que não escutam seu chamado e, não escutando, não reconhecem e não vivem sua vocação. Por que em uma época de tantas conquistas estamos perdendo a maior conquista que o coração do homem anseia: ter um profundo encontro com aquele que é Caminho, Verdade e Vida, que veio nos revelar um Pai de profundo amor e misericórdia? De onde vem tudo isso?

Segundo o Papa João Paulo II, hoje a família está imensamente massacrada por um conjunto de práticas imorais que contrariam a vontade de Deus, entre elas o aborto, as falsas famílias, as uniões sem o sacramento, o amor livre e muitos outros males. Contrariando a vontade de Deus a família se fechou ao seu amor, não confiou em sua misericórdia e se fez incapaz de fazer crescer e se desenvolver dentro dela o amor esponsal, filial, materno, paterno, fraterno; tirou de Deus o lugar de centro da família e a fé deixou de ser vivida e testemunhada. Sem conhecer esse amor, sem conhecer essa fé o jovem não encontra sentido para a vida, não sente o amor de Deus, não o conhece e não o escuta. Como, então, Deus pode continuar derramando a sua misericórdia, seu amor sobre cada nova geração, se a família, que é a primeira escola da misericórdia, do amor e da fé, tem se fechado a Ele?

Embora tudo isso, a grande marca do cristão é a confiança e a esperança de que tudo pode ser transformado, renovado, pois confiamos que Deus jamais nos desampara e está sempre pronto a nos socorrer. Mais do que nunca, somos chamados a voltar nossos olhos para Maria e aprender com ela, pois cada momento da sua vida nos traz um profundo ensinamento. Foi a confiança que fez com que Maria dissesse “sim” a Deus, fazendo a sua vontade até o fim; foi a esperança que fez com que Maria ficasse em pé diante da cruz; foi a sua total abertura ao amor de Deus que permitiu que ela amasse, escutasse e fizesse a vontade do Pai, exatamente como o seu Filho. Maria, em sua simplicidade, pôde com seu sim realizar um grande sonho de Deus: gerar Jesus para o mundo e formar, com ele e José, uma família que se tornou modelo de serviço, de fé e de total entrega à vontade de Deus.

Voltemos também nosso olhar para a ação de Maria nas bodas de Caná (cfr. Jo 2,1-11). As bodas de Caná simbolizam o lar católico, a família católica. Uma família que apesar de enfrentar dificuldades, lutas, de muitas vezes correr o risco de perder o vinho da paz, da alegria, da fé, é uma família que jamais perde a esperança e jamais se deixa vencer pelas dificuldades, pois convida Jesus a estar sempre presente em todos os momentos de sua vida, sejam eles de lutas ou de vitórias, de tristeza ou de alegria. É uma família que sabe que, onde está Jesus, aí está Maria, e que todos os dias escuta Maria lhes dizendo: “Fazei tudo o que Ele disser” e, cheia de confiança e esperança se coloca a escutar e a fazer o que Ele diz.

Que possamos nos colocar a todo instante na presença de Maria e pedir a ela que interceda por nossas famílias, pedir a ela que interceda para que homem e mulher assumam a missão tão bela e abençoada de testemunhar a cada dia, na vivência do seu matrimônio, a fé no amor e na misericórdia infinita de Deus. Que assim se formem famílias que façam tudo o que Ele disser, famílias que gerem filhos que encontrem, na vivência da fé e na busca de fazer a vontade de Deus, o sentido para suas vidas, filhos que, vivendo sua vocação, sejam faróis iluminando o mundo com a presença de Jesus vivo que caminha no meio de nós. Que pela vivência das famílias, primeira escola da misericórdia de Deus, Ele possa continuar derramando a sua misericórdia por todas as gerações que virão. Maria, mãe do Amor, Senhora de Nazaré, interceda para que em nossas famílias jamais falte a confiança, a esperança, a escuta e a total entrega à vontade de Deus. Que como a família de Nazaré, as famílias com o olhar em Deus possam ir além das dificuldades e gerar Jesus no mundo.

Regina Helena Penteado
Comunidade de Aliança de São José do Rio Preto

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