Louvor e alegria com Maria

Junho de 2017

“Pois, ele viu a pequenez de sua serva, Desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez em mim maravilhas e Santo é o seu nome!” Lc 1, 48-49

O caminho mariano que estamos percor-rendo, cada vez mais nos indica e nos dá a possibilidade de assumir novos comportamentos, ajudando-nos a meditar sobre o modo como estamos vivendo. Neste mês meditaremos sobre o louvor e a alegria, assim como o fez Bento XVI com os jovens em Madri. Naquela Jornada ele disse: “A Igreja tem a vocação de levar ao mundo a alegria, uma alegria autêntica e duradoura, aquela que os anjos anunciaram aos pastores de Belém na noite do nascimento de Jesus (cfr. Lc 2,10)” (Bento XVI, mensagem para a 27ª JMJ de 2011).

Bento XVI indicava aos jovens o verdadeiro sentido da alegria, não um dos diversos estereótipos sobre a alegria difundidos hoje, em uma sociedade secularizada, na qual a palavra alegria é descaracterizada de sua essência mais profunda, restando somente uma busca incansável de satisfazer a própria vontade. Uma busca incansável, mas que “cansa”. Essa alegria passageira é enfadonha. Diversa é a alegria que vem da caridade: “O amor não cansa e não se cansa”, diz uma canção.

Maria entoa seu canto proclamando a obra de Deus nela mesma, no mundo, e no povo de Israel. É um canto alegre que nasce de um coração agradecido a Deus, de um coração atento à voz e à ação daquele que o ama profundamente. Maria é para nós modelo de gratidão e alegria. O tema central do seu canto é Deus, é Ele o protagonista de tudo que aconteceu até então e tudo que virá de-pois. Tendo como referência sua experiência pessoal, com um olhar retrospectivo Maria recorda a obra de Deus na História da Salvação. Com este hino proclama, pois, a grandeza do “Deus da história”, a quem se reconhece por sua santidade, poder, misericórdia, fidelidade.

Muitas vezes somos cercados por pensamentos, ideologias e modos de viver e de se comportar que nos indicam um caminho do “aqui e agora”, como se a vida fosse um conto de fadas, como o de “Alice no país das maravilhas” ou de “Peter Pan no país do carpe diem”. Num mundo onde exis-tem tantas “Alices” e tantos “Peter Pans” somos chamados a ver e reconhecer a realidade de nossa

história, como Maria. Somo chamados a ser uma juventude de esperança, mas esta só se dá em um coração que faz memória e é grato a Deus e aos irmãos. Assim, Maria nos ensina que a verdadeira alegria não está em satisfazer o próprio ego, ter somente os pensamentos e preocupações sobre o próprio bem estar, pois se fosse assim seria muito pouco. Somos chamados a responder com um “sim” para o outro, para um Tu, onde esse Outro, esse Tu é primeiramente o próprio Senhor que por primeiro disse: “Eis que venho fazer com prazer a vossa vontade, Senhor” (Sl 39,9).

Maria vive exatamente a dinâmica contrária ao individualismo. O seu canto, o “Magnificat”, não é expressão de uma voz solitária, individualista, pois ela associa à sua voz uma comunidade inteira de fieis que celebra tantas maravilhas ao longo da história da salvação. E você, jovem, faz parte dessa história, você também faz parte daquele povo que foi liberto da escravidão do Egito, você também faz parte de toda a misericórdia experimentada e vivida pelos nossos antepassados e, hoje, com o seu louvor, você é convidado a atualizar sua pertença a essa grande família de Deus! Essa realidade nos livra da grande tentação de viver uma vida solitária, individualista, que faz com que percamos o sentido de viver, pela tentativa fracassada de encontrar a felicidade, o prazer e alegria em fontes que se esgotam . Em Jeremias 2,13, o Senhor já dizia: “Meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas fendidas que não retêm a água”. Como Maria, podemos sair do abstrato de nossa vida e mergulhar sem medo não em um “poço rachado”, mas no “mar” da verdade daquilo que Deus é e daquilo que somos nós.

Devemos estar atentos também a uma realidade muito questionada entre os jovens de hoje: ter alegria não é somente sentir algo maravilhoso em nosso coração. Ter alegria é muito mais do que um sentimento: é a experiência de fé, é alegrar-nos pelo que acreditamos e não tanto pelo que sentimos!

Meu irmão e minha irmã, não tenha medo de encontrar na vontade do Senhor a verdadeira alegria, a verdadeira liberdade e a paz tão sonhada. Que o seu coração seja grato e se alegre, para que, reconciliado com a sua histó-ria, o seu “Magnificat”, como aquele de Maria, possa também ecoar pelos quatro cantos do mundo. Meditemos sobre o que o Papa Francisco nos disse na JMJ passada: “Para seguir a Jesus, é preciso ter uma boa dose de cora-gem, é preciso decidir-se a trocar o sofá por um par de sapatos que te aju-dem a caminhar por estradas nunca sonhadas e nem mesmo pensadas, por estradas que podem abrir novos horizontes, capazes de contagiar-te a alegria, aquela alegria que nasce do amor de Deus, a alegria que deixa no teu coração cada gesto, cada atitude de misericórdia”. (Papa Fran-cisco, Vigília da JMJ Cracóvia 2016).

Que Maria nos ajude, que ela seja sempre o nosso Perpétuo Socorro! Duc in altum!

Bruno Oliveira Monteiro
Membro da Missão de São Paulo

Baixe aqui esta formação.

Print This Post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comunidade Católica Mar a Dentro – Discípulos e Ministros da Obediência e da Paz
E-mail: maradentro@maradentro.com.br ✺ Tel: (+ 55) 17 – 3222-4436

Copyright 2017 © Todos os direitos reservados