o que são as indulgências do Ano Jubilar?

CRUZ CON LUZPor concessão da Santa Sé, os membros da Comunidade Católica Mar a Dentro, bem como todos aqueles que participam nas casas e missões da Comunidade, recebem, neste Ano Jubilar, a indulgência plenária nas missas, atos litúrgicos ou visitas às capelas de algumas missões da Comunidade. Para podermos nos preparar e acolher com maior fervor este tesouro que a Igreja nos oferece, busquemos compreender melhor o que são as indulgências e qual a sua importância. Para isso vamos nos basear no Manual de Indulgências e numa catequese de São João Paulo II, que se chama “O dom da indulgência”.

O Manual de Indulgências, documento oficial da Igreja que fala sobre o assunto, diz que “a Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa”. Sabemos que esse tema já foi muito mal compreendido e por vezes mal utilizado, gerando nos últimos séculos, principalmente depois da Reforma Protestante no séc. XVI, muito preconceito e desvalorização deste que é um grande bem espiritual. A indulgência está ligada ao Sacramento da Reconciliação, ou seja, ao perdão e à remissão dos pecados, bem como de suas consequências.

ferrugemPara entender melhor o significado das indulgências, usemos alguns exemplos: sabemos que um objeto de metal, devido ao tempo e à sujeira, perde naturalmente o seu brilho. Podemos tirá-lo do ambiente da sujeira, mas ele só voltará a brilhar depois que tivermos o trabalho de limpá-lo de todos os resíduos. Da mesma forma, se o ferro estiver exposto à água ele vai enferrujar, e não basta tirá-lo da água para que a ferrugem saia, pois ele precisa ser limpo e tratado com alguns produtos especiais até que toda a ferrugem saia. Essa sujeira e essa ferrugem nos ajudam a entender que, mesmo depois que o pecado (o ambiente sujo e a água dos exemplos acima) já foi perdoado pelo Sacramento da Reconciliação, existe algo (a sujeira e a ferrugem) que permanece ofuscando a alma.

Vejamos um terceiro exemplo: depois que alguém doente faz uma cirurgia para retirar um tumor, recebe do médico um remédio que o ajudará na sua cura. “De fato, – afirma São João Paulo II – o homem deve ser progressivamente ‘curado’ das consequências negativas que o pecado produziu nele (e às quais a tradição teológica chama “penas” e “resíduos” do pecado)”. A Indulgência, portanto devolve à alma o seu brilho original, removendo os resíduos e a ferrugem, ajudando a alma, como um remédio, a obter plena saúde.

Vimos no Manual de Indulgências que esta é a remissão das “penas temporais”, ou seja, das penas que duram “por um tempo”, mas não são eternas. A pena eterna é o Inferno. Sabemos que existe também o Purgatório, que não é um lugar de condenação, mas é onde as almas são purificadas das penas temporais que ainda permaneceram após a morte.

retiro pe douglas belem cartaz cPara entender o que são essas penas temporais, utilizemos mais um exemplo. Na parábola do Filho Pródigo, ele abandona a casa do pai e segue o seu caminho errado. Quando se arrepende, ele tem de percorrer todo o caminho de retorno à casa do pai. Da mesma forma, o pecado é um movimento que nos afasta de Deus. Quando confessamos, paramos e retomamos o nosso caminho em direção ao Pai. Entretanto, não basta se arrepender, mudar a direção, é necessário percorrer novamente o caminho até Deus.

“A pena temporal – explica São João Paulo II – exprime a condição de sofrimento daquele que, embora reconciliado com Deus, ainda está marcado por aqueles ‘resíduos’ do pecado, que não o tornam totalmente aberto à graça. Precisamente em vista da cura completa, o pecador é chamado a empreender um ‘caminho’ de purificação, rumo à plenitude do amor”.

Para receber a indulgência é necessário que o fiel esteja devidamente disposto e em determinadas condições, isto é, que participe da comunhão eucarística, se confesse e reze nas intenções do Santo Padre. Desse modo, poderá alcançar essas graças por meio da Igreja que, como uma mãe, dá aos seus filhos as graças que recebeu do Salvador. Vale lembrar que as indulgências podem ser obtidas para si mesmo como também para as almas do Purgatório.

Podemos dizer, então, que a indulgência é fruto da misericórdia manifestada em Cristo, que através do sacrifício da Cruz nos cura de todas as feridas que o pecado nos causa: “Por suas chagas fomos curados” (Is 53,5). Uma vez perdoados de nossos pecados, somos convidados a buscar essa purificação que nos auxilia no caminho da perfeição do amor. A indulgência é um grande dom que Deus nos dá, além do Sacramento da Reconciliação e de outras práticas de piedade, para que sejam apagados os “resíduos” que o pecado deixa em nossa alma. O sentido das indulgências deve ser acolhido neste horizonte de renovação total do homem em virtude da graça de Cristo Redentor, mediante o ministério da Igreja.

 André de Moraes
Missão de Lugano

 Leia também a Catequese do Beato Papa João Paulo II:
“O dom da Indulgência” através do nosso site, pelo endereço
http://maradentro.com.br/o-dom-das-indulgencias.html

Print This Post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comunidade Católica Mar a Dentro – Discípulos e Ministros da Obediência e da Paz
E-mail: maradentro@maradentro.com.br ✺ Tel: (+ 55) 17 – 3222-4436

Copyright 2017 © Todos os direitos reservados