São Francisco e o Carisma

francisco“Altíssimo, onipotente, bom Senhor, Teus são o louvor, a glória, a honra e toda a bênção. Só a ti, Altíssimo, são devidos e homem algum é digno de te mencionar…”

Em uma vertente da fonte da nossa espiritualidade temos a inspiração no despojamento e na vida pobre do apaixonado e apaixonante pobre de Deus, São Francisco de Assis. Homem encontrado e transformado pela força do Evangelho. Homem despojado e seduzido, encantado pela vida divina que o abraçara e exercera sobre ele uma maestria que o fez amar a vida, amar os pobres, servir a Igreja e não temer nem os inimigos e nem as próprias limitações.

O que nos inspira a contemplar sua vida é o desafio de abraçar a pobreza, uma pobreza que não é apenas externa a mim, no pobre sem roupas, no homem faminto, mas antes, no pobre que mora em nós, que nos acompanha a cada dia. Essa pobreza nos permite redescobrir sempre e de novo a riqueza e a radicalidade do Evangelho e da vida d’Aquele que era rico e se fez pobre para nos alcançar, pelo qual Francisco foi atraído e tudo abandonou. Somos homens e mulheres chamados a despertar hoje no mundo a consciência para a fragilidade, a vulnerabilidade e a fraqueza humana. Se formos capazes de tocar essa parte ignorada da vida, podemos, sim, como Francisco abandonar nossa vida cômoda e encontrar aqueles que aos olhos do mundo são fracos e desprezados.

Essa vida está refletida na cruz de Cristo, portanto abraçar a Cruz é imprescindível para viver a pobreza de coração, de espírito. Francisco antes de ser o homem da poesia, o homem da paz, do amor às criaturas, foi o homem da cruz, contemplou a cruz, abraçou a cruz, amou o crucificado. Não bastando contemplar e abraçar a cruz, a internalizou trazendo no seu próprio corpo os sinais da paixão.

franciscan_tauA pobreza e o despojamento de si mesmo nos conduzem para o esvaziamento, a aniquilação, a abertura de um espaço em nós para acolher o Cristo despojado e pobre. Esse acolhimento nos leva a acolher e contemplar a criação e também para viver a fraternidade na relação mútua do serviço aos irmãos, aos mais necessitados, enriquecendo aqueles que são pobres e acolhendo na minha pobreza aqueles que são ricos. Devemos nos lembrar também que somos marcados pelo TAU; que é o sinal externo da nossa consagração, como dizia um canto Litúrgico da Igreja do século XII citado na nossa Regra de Vida 150d “Marcado pelo TAU, sinal de vida, o fiel mostra querer ser servidor do Crucificado”. Francisco de Assis o conhecia e o cantava muitas vezes e ensinava aos seus a cantarem. Assim também, somos chamados a fazer da cruz um canto de amor e de vitória, de sacrifício e redenção, de loucura e de louvor. Cantar e ensinar para o mundo sobre o amor que nos amou e o amor que não é amado!

“Louvado sejas, meu Senhor, por todas as criaturas, criaturas que são tuas. Que todas elas te rendam graças e sirvam a ti, supremo Senhor”.

Silvio Stumpf
Superior da Missão de São Paulo

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