Comunidade Católica Mar a Dentro

A Vigília Pascal

Ó noite em que a coluna luminosa as trevas do pecado dissipou,
e aos que crêem no Cristo, em toda terra, em novo povo eleito congregou!

(trecho do ‘Exultat’ – Proclamação da Páscoa)

A festa da Páscoa acende em nossos corações um desejo pelo céu; é um grito de vitória, de libertação. O Cristo morto na cruz, derrotado pelo mal, vencido pela injustiça e pela opressão, humilha a morte, quebra as cadeias do inferno e ressurge glorioso. De maneira especial, é na Vigília Pascal que revivemos esse momento. Ao repicar dos sinos e ao canto do “Glória a Deus nas alturas…”, celebramos a Ressurreição de Cristo, momento central de nossa fé. O mesmo canto que os anjos cantavam na noite de Natal, na terra agora se canta para celebrar a vitória de Cristo sobre o inimigo mais temido pelo homem: a morte.

A Vigília Pascal é o grande sacramento da vida do cristão. O centro da Liturgia dessa noite são os sacramentos do Batismo e da Eucaristia, expressão da presença de Cristo ressuscitado com a sua Igreja. De fato, são estes dois sacramentos que fazem a Igreja, nascida do peito aberto de Cristo na cruz. Ao ser traspassado pela lança, do seu coração jorraram a água, símbolo do Batismo e o sangue, símbolo da Eucaristia. A Vigília Pascal se desenrola em quatro momentos: a Liturgia da Luz, a Liturgia da Palavra, a Liturgia Batismal e a Liturgia Eucarística.

Liturgia da Luz

Na Liturgia da Luz temos a celebração do fogo novo, essa faz-nos entrar no mistério da grande manifestação de Deus: a nova criação realizada na ressurreição de Jesus Cristo. Ele é a luz do mundo, que ilumina todas as trevas (cf. Jo 8,12). A procissão do Círio, acompanhado das velas que o povo leva na escuridão, nos recorda esta realidade, expressa na invocação: “Eis a luz de Cristo”. Só nele existe salvação. O Batismo é o caminho pelo qual entramos neste plano de salvação e é por sua graça que esta salvação se estendeu a todos os povos. Ninguém está excluso. Ao final da Liturgia da Luz, entoa-se o canto do “Exultet”, que proclama a vitória de Cristo, “Deus que a todos acende no seu brilho”, Senhor do tempo e da história.

Liturgia da Palavra

Na segunda parte, a Liturgia da Palavra propõe nove leituras, apresentando os pontos mais importantes de toda a História da Salvação, dentre elas a recordação da primeira Páscoa, a libertação da escravidão no Egito. O Evangelho, introduzido pelo solene canto do “Aleluia”, proclama a Ressurreição de Cristo, momento central e culminante da História da Salvação.

Liturgia Batismal

Na terceira parte a Liturgia Batismal, com a bênção da água, introduz o batismo de novos filhos para a Igreja. Porém, mesmo onde não há batismo, todos renovam as Promessas Batismais, renunciando a Satanás e às suas obras e professando a Fé junto com toda Igreja. É a conclusão do caminho quaresmal de penitência e conversão, e o início de uma vida nova, pois sepultados com Ele no Batismo, nele também ressuscitamos (cf. Col 2,12; Rm 6,4).

Todo o caminho da Quaresma é a preparação para essa vida nova. Aquele que começa o Tempo Pascal sem se dar conta de que a Ressurreição de Cristo é também a nossa, perde a oportunidade que a liturgia nos oferece de abraçar a Salvação. Renovar as promessas batismais é dizer que estamos conscientes da vida nova que recebemos no Batismo, pois este não é um evento encerrado no passado, mas marca a nossa história.

O caminho que o cristão abraça no Batismo não é solitário, mas com ele caminha Jesus e toda a comunidade, alimentada pelo Pão descido céu, o Pão da Vida (cf. Jo 6,51). O Batizado se alimenta da Eucaristia. É ela seu sustento para enfrentar as dificuldades da vida. Quem crê nesse mistério não se sentirá mais sozinho, pois o próprio Deus partilha a sua história, caminhando ao seu lado.

Liturgia Eucarística

A última parte da vigília é a Liturgia Eucarística. Jesus manifesta a sua presença na Igreja de diversos modos: na Palavra, na oração, nos pobres, doentes, estrangeiros, nos sacramentos, mas sobretudo na Eucaristia. Ela renova, fortalece e aprofunda esta pertença à Igreja, já realizada pelo Batismo, que nos chama a formar um só corpo. A Eucaristia realiza esta vocação: “O cálice da bênção que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque participamos desse único pão” (1Cor 10,16-17).

Vivamos toda a riqueza oferecida pela Igreja na Liturgia. Aquele que celebra de coração os mistérios do Senhor, encontra neles força e razão para sua fé. Quando ouvimos a Palavra e recebemos o Corpo e o Sangue de Cristo Ressuscitado, temos a certeza de que a vida em nós é renovada, de que Cristo é presente na minha vida. É Jesus dizendo à mim e à sua Igreja: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (cf. Mt 28,20).

André de Moraes
Missão de Lugano – Suíça

 

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