Comunidade Católica Mar a Dentro

As populações ribeirinhas das ilhas de Belém também foram alcançadas pela programação do 17º CEN

DSC_0816As populações ribeirinhas das ilhas que compõem o arquipélago de Belém também foram alcançadas pela programação do 17º CEN. Quem vê a Metrópole da Amazônia com seus quase 1,5 milhão de habitantes, não imagina que basta atravessar o rio numa viagem de barco a motor por cerca de 50 minutos, partindo de Icoaraci, distrito que fica a aproximadamente 20 km do centro de Belém, para chegar até verdadeiros santuários ecológicos onde a população local ainda sobrevive basicamente da pesca e da extração do açaí abundante na região e base também da alimentação das famílias ribeirinhas.

Acompanhados pela Comunidade de Vida e Aliança Mar a Dentro e pelo grupo Amigos da Ilha, a equipe de reportagem da arquidiocese de São Paulo e o bispo auxiliar para a região Episcopal Brasilândia, Dom Devair Araújo da Fonseca visitaram durante o Congresso, a comunidade ribeirinha de Jamaci, em Paquetá, uma das 42 ilhas que formam o arquipélago de Belém e são banhados pelas baías do Marajó e do Guajará.

Para atender às comunidades ribeirinhas a Arquidiocese de Belém criou a Pastoral das Ilhas, é nesse contexto que a Comunidade Mar a Dentro realiza sua missão. Aos 36 anos de vida, há oito sendo missionária em Belém, Eliane Cristina Fraga Lourenço, coordena projetos pastorais nas ilhas. “Quando nós chegamos aqui, a convite do então arcebispo de Belém, Dom Orani João Tempesta, muitas comunidades não tinham missas, não tinham capela, não tinham nada. Então, nós começamos um projeto de evangelização nas casas, ajudando a realizar a celebração da Palavra, dando oportunidade para que os ribeirinhos pudessem ter formação para receber os sacramentos”, recorda a jovem missionária.

As visitas constantes à Comunidade de Jamaci deram frutos e rapidamente as famílias locais celebraram o primeiro casamento comunitário, na ocasião seis casais decidiram receber o sacramento do matrimônio e desde então, conseguiram reunir forças para a sonhada construção da Capela Nossa Senhora da Conceição, hoje concluída. “No começo nós não tínhamos um local para o padre celebrar, não tinha a capela. O padre celebrava na escola ou nas casas. Mas nós sempre fomos uma comunidade de fé, sempre acreditamos que um dia teríamos nossa capela”, conta feliz, a ministra da Eucaristia Roselia Santos.

Nosso grupo chegou à comunidade de Jamaci, no domingo, 21, pela manhã depois de navegar pela baía do Guajará contemplando as belezas de suas extensas margens cercadas pela floresta amazônica. Tão logo chegamos, ao nosso lado, no trapiche recentemente construído com ajuda da Cáritas, já estava um casquinho, pequeno barco à remo utilizado pelas famílias para percorrer os trajetos mais curtos, como por exemplo, entre a casa e a Igreja ou a escola, trazendo mulheres e crianças felizes para a celebração da missa que atualmente acontece um vez por mês.

Entre aquelas pessoas que participaram da celebração eucarística estava Maria de Nazaré, feliz e super entusiasmada, ela emociona o grupo ao contar que sua maior alegria foi poder fazer a primeira eucaristia aos 64 anos. “Meus filhos fizeram a Primeira Comunhão e a Crisma, eu fiquei muito satisfeita e tinha aquela vontade de também fazer, finalmente com o pessoal da Comunidade Mar a Dentro eu pude realizar esse sonho e agora quero fazer também a Crisma junto com os mesmos meninos que comigo fizeram a Primeira Eucaristia”, conta com um indescritível brilho nos olhos. Duas jovens catequistas agora acompanham crianças e adultos na preparação para a Primeira Comunhão e Crisma.

Um dos destaques da missão nas ilhas de Belém foi o projeto São Paulo Apóstolo, o objetivo inicial era justamente fazer como o apóstolo: visitar as ilhas, formar comunidades e preparar pessoas locais para que pudessem dar continuidade ao processo iniciado pelos missionários.

  DSC_0666Amigos da Ilha

O projeto Amigos da Ilha nasceu na Comunidade de Vida e Aliança Mar a Dentro e visa dar assistência às comunidades ribeirinhas. Atentos às necessidades pastorais e sociais dessas populações, o grupo realiza campanhas especialmente nos períodos da Páscoa e do Natal para arrecadar doações de alimentos e roupas, uma vez que vivendo basicamente da pesca e da extração do açaí, os ribeirinhos sofrem diretamente com as consequências do desequilíbrio ambiental que tem tornado as safras menos produtivas e diminuído a quantidade de peixes nas redondezas. “Nós vamos ao encontro dos ribeirinhos que muitas vezes estão em locais de difícil acesso, vamos com os padres, celebramos a Eucaristia e também levamos alimentos, roupas e alimentos. Pra nós é uma grande festa e uma grande graça termos sido escolhidos para essa missão” conta emocionada, Eliana Leite.
Na comunidade de Jamaci 26 famílias recebem assistência dos Amigos da Ilha que também realizam a celebração da Palavra nas comunidades que não podem contar com a presença do padre. “Quando termina as celebrações do Círio de Nazaré em outubro, nós intensificamos o trabalho de arrecadação de alimentos e brinquedos para proporcionar um Natal digno e feliz para essa população. Por exemplo, agora nós não estamos no período de safra do açaí, portanto muitos deles não têm nada para comer. Em uma das visitas que fizemos uma criança perguntou: ‘Mãe porque não é Natal todo dia? E a pergunta não era por causa do brinquedo que ela recebeu, mas pela cesta básica que a mãe tinha recebido’. Apesar dessa realidade nunca encontramos uma criança triste na ilha, elas estão sempre assim, felizes e cheias de esperança nos olhos”, conta, emocionado, Acrísio Viana, um dos Amigos da Ilha.

 Fonte: http://www.arquisp.org.br/

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.

maradentro@maradentro.com.br

(+55) 17 3222-4436

Newsletter

Receba as notícias no seu e-mail