Comunidade Católica Mar a Dentro

Como nas bodas de Caná

O mês de outubro acabou e com ele mais um Círio se foi… Não é bem assim, pois o Círio de Nazaré é um tempo que não passa nunca, fica eterno nos corações daqueles que olhados pela Santa Mãe de Deus, a Senhora de Nazaré, puderam contemplar por antecipação um pouco das alegrias e do mistério guardado para aqueles os quais Cristo salvou na Cruz e abriu-lhes as portas do paraíso.

È surpreendente ver no Círio de Nazaré pessoas tão diferentes e tão próximas, tão distantes e tão irmãs, tão santas e pecadoras todas entrelaçadas pela corda que puxa a Berlinda da Pequena Senhora.

È belo ver o olhar de amor, de fé e o desejo do infinito que há no coração do homem manifestado em cada gesto. No Círio cada um é único no seu jeito de amar e buscar a Deus, cada um do seu modo vai a procura Daquele que é o Senhor, uns vão na corda, experimentando no corpo as dores, as alegrias da vida; outros vem caminhando de lugares distantes, com os pés feridos; outros com casinhas e barcos na cabeça caminham na procissão; outros não caminham, mas arrastam-se com os joelhos, que sangrando e sem forças encontram consolo em outros que vivem o Círio servindo e ajudando os promesseiros a pagarem suas promessas. Há aqueles que acordam bem cedo para ir ver o “Sol Nascente” diante da Catedral, na missa, alguns nem acordam, pois não dormiram! Da Trasladação já ficaram para o Círio!

Ao mesmo tempo em que cada um é único, todos se tornam um só povo, uma só alma, um só coração, que acolhido por Maria é levado ao Coração de Jesus, onde os milagres acontecem.

E que milagres!!! Milagres de cura e conversão. Cada um tem sua história para contar…

Os milagres acontecem um pouco como nas Bodas de Caná. Os romeiros, peregrinos, promesseiros e todos os que vêm até o Santuário Mariano, a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, trazem suas talhas vazias. Maria, como mãe, acolhe a todos, todos os que vem a pé, de bicicleta, de moto, de barco, na corda, perto ou longe da Berlinda, no dia do Círio, antes ou depois na quinzena do Círio.

Ali na casa da mãe contemplando a singularidade de cada promesseiro, contemplando o cansaço, as dores, as alegrias, as feridas, as loucuras, é possível perceber algum em comum: “as lágrimas”. Elas caem por todas as faces, são derramadas das profundezas da alma e aqueles que se entregam ao mistério, choram no colo da mãe como crianças carentes em busca de alívio, carinho e proteção. Estas lágrimas, que falam mais do que as palavra, são acolhidas pela Virgem de Nazaré e apresentadas ao Filho e Ele transforma as águas destas pobres e simples lágrimas, de filhos quem não sabem muito bem como rezar, em vinho novo, em vida nova, vida cheia da graça de Deus.

O Círio 2012 termina, mas para Deus é sempre Círio, pois há sempre uma talha cheia de lágrimas a ser transformada em vinho novo, há sempre Maria de Nazaré para acolher seus filhos, há sempre uma prece a ser feita, e para aqueles que foram marcados no Círio de Nazaré com sinais de eternidade, há sempre um coração grato elevando um canto de amor e devoção à Senhora da Berlinda, aguardando o Círio Eterno que nos espera no Céu.

Lea Cristina Biazeto da Silva
Superiora da Missão de Belém

Uma homenagem da
Comunidade Mar a Dentro
a todos os paraenses
de nascimento e de coração:

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