Comunidade Católica Mar a Dentro

Aconteceu hoje no vaticano o Consistório no qual Dom Orani foi criado cardeal

do marceloNa manhã deste sábado, 22 de fevereiro, o Santo Padre Francisco realizou o Consistório Ordinário Público no qual criou dezenove novos cardeais. O papa emérito Bento XVI estava presente na cerimônia.

Na abertura do Consistório, após a saudação, a oração e a proclamação do Evangelho, o Papa dirigiu a todos os presentes na Basílica de São Pedro o seu discurso. Logo após, conforme o rito, o Santo Padre leu a fórmula de criação e proclamou solenemente os nomes dos novos cardeais. O rito continuou com a profissão de fé dos recém-criados cardeais diante do povo de Deus e o juramento de fidelidade e obediência ao Papa e aos seus sucessores.

Em seguida os novos cardeais, de joelhos diante do Santo Padre receberam o barrete cardinalício, o anel, além da bula de nomeação, na qual recebem a designação para uma igreja de Roma, como sinal de participação na solicitude pastoral do Santo Padre. O rito se concluiu com o abraço da paz entre o Santo Padre e os Cardeais.

Na homilia o Papa Francisco comentou o Evangelho de Mc 10, 32-45, destacando  duas afirmações do texto: “Jesus caminhava à frente deles” e “Jesus chamou-os”. Também neste momento Jesus caminha à nossa frente. Ele está sempre à nossa frente. Precede-nos e abre-nos o caminho… E esta é a nossa confiança e a nossa alegria: ser seus discípulos, estar com Ele, caminhar atrás dele, segui-lo…

Dentre os novos cardeais está Dom Orani João Tempesta, arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que recebeu o título de cardeal presbítero e foi designado para a igreja de Santa Maria da Providência em Monte Verde. Ele é um dos dezenove bispos escolhidos pelo Santo Padre provenientes de diversos países. Nesta variedade de rostos se exprime o rosto da Igreja, que é universal.

O Papa Francisco concedeu o título de cardeal também ao Mons. Francis Loris Capovila, ex-secretário do Papa João XXIII, que com 98 anos recebeu a nomeação como forma de agradecimento por todo o trabalho realizado na Igreja.

A Comunidade Mar a Dentro se fez presente em Roma nesse momento importante para a Igreja. Participaram da cerimônia, juntamente com a comitiva que acompanhou Dom Orani, o Pe. Marcelo José da Silva Sampaio (superior da Missão de Lugano – Suíça) e a Morgana Colombo Nadin (superiora da Casa de Missão do Rio de Janeiro). Unidos a eles toda a nossa Comunidade se alegra e se une em oração por essa nova missão tão importante que foi concedida a Dom Orani.

dom orani e outrosAmanhã, domingo, o Papa presidirá à missa com os novos cardeais, a partir das 10h00 (horário de Roma), de novo na Basílica de São Pedro. Com os novos purpurados o Colégio Cardinalício passa a ter 218 cardeais vindos de 68 países.

Abaixo segue o discurso que o Santo Padre pronunciou durante o Consistório.

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«Jesus caminhava à frente deles» (Mc 10, 32).

Também neste momento Jesus caminha à nossa frente. Ele está sempre à nossa frente. Precede-nos e abre-nos o caminho… E esta é a nossa confiança e a nossa alegria: ser seus discípulos, estar com Ele, caminhar atrás d’Ele, segui-Lo…

Quando eu e os Cardeais concelebrámos juntos a primeira santa Missa na Capela Sistina, «caminhar» foi a primeira palavra que o Senhor nos propôs: caminhar e, em seguida, construir e confessar.

Hoje volta aquela palavra, mas como um acto, como a acção de Jesus que continua: «Jesus caminhava…» Isto é uma coisa que impressiona nos Evangelhos: Jesus caminha muito e instrui os seus discípulos ao longo do caminho. Isto é importante. Jesus não veio para ensinar uma filosofia, uma ideologia… mas um «caminho», uma estrada que se deve percorrer com Ele; e aprende-se a estrada, percorrendo-a, caminhando. Sim, queridos Irmãos, esta é a nossa alegria: caminhar com Jesus.

E isso não é fácil, não é cómodo, porque a estrada que Jesus escolhe é o caminho da cruz. Enquanto estão a caminho, fala aos seus discípulos do que Lhe acontecerá em Jerusalém: preanuncia a sua paixão, morte e ressurreição. E eles ficam «surpreendidos» e «cheios de medo». Surpreendidos, sem dúvida, porque, para eles, subir a Jerusalém significava participar no triunfo do Messias, na sua vitória – como se vê em seguida pelo pedido de Tiago e João; e cheios de medo, por causa daquilo que Jesus haveria de sofrer e que se arriscavam a sofrer eles também.

Mas nós, ao contrário dos discípulos de então, sabemos que Jesus venceu e não deveríamos ter medo da Cruz; antes, é na Cruz que temos posta a nossa esperança. E, contudo, sendo também nós humanos, pecadores, estamos sujeitos à tentação de pensar à maneira dos homens e não de Deus.

E quando se pensa de maneira mundana, qual é a consequência? Diz o Evangelho: «Os outros dez indignaram-se com Tiago e João» (cf. Mc 10, 41). Indignaram-se. Se prevalece a mentalidade do mundo, sobrevêm as rivalidades, as invejas, as facções…

Assim, esta palavra que o Senhor nos dirige hoje, é muito salutar! Purifica-nos interiormente, ilumina as nossas consciências e ajuda a sintonizarmo-nos plenamente com Jesus; e a fazê-lo juntos, no momento em que aumenta o Colégio Cardinalício com a entrada de novos Membros.

Então «Jesus chamou-os…» (Mc 10, 42). Aqui temos o outro gesto do Senhor. Ao longo do caminho, dá-Se conta que há necessidade de falar aos Doze, pára e chama-os para junto de Si. Irmãos, deixemos que o Senhor Jesus nos chame para junto de Si! Deixemo-nos “con-vocar” por Ele. E ouçamo-Lo, com a alegria de acolhermos juntos a sua Palavra, de nos deixarmos instruir por ela e pelo Espírito Santo para, ao redor de Jesus, nos tornarmos cada vez mais um só coração e uma só alma.

E, enquanto nos encontramos assim convocados pelo nosso único Mestre, «chamados para junto d’Ele», digo-vos aquilo de que a Igreja precisa: precisa de vós, da vossa colaboração e, antes disso, da vossa comunhão comigo e entre vós. A Igreja precisa da vossa coragem, para anunciar o Evangelho a tempo e fora de tempo, e para dar testemunho da verdade. A Igreja precisa da vossa oração pelo bom caminho do rebanho de Cristo; a oração – não o esqueçamos! – que é, juntamente com o anúncio da Palavra, a primeira tarefa do Bispo. A Igreja precisa da vossa compaixão, sobretudo neste momento de tribulação e sofrimento em tantos países do mundo. Exprimamos juntos a nossa proximidade espiritual às comunidades eclesiais, e a todos os cristãos que sofrem discriminações e perseguições. Devemos lutar contra toda a discriminação! A Igreja precisa da nossa oração em favor deles, para que sejam fortes na fé e saibam reagir ao mal com o bem. E esta nossa oração estende-se a todo o homem e mulher que sofre injustiça por causa das suas convicções religiosas.

A Igreja precisa de nós também como homens de paz, precisa que façamos a paz com as nossas obras, os nossos desejos, as nossas orações. Fazer a paz! Artesãos da paz! Por isso invocamos a paz e a reconciliação para os povos que, nestes tempos, vivem provados pela violência, a exclusão e a guerra.

Obrigado, Irmãos muito amados! Obrigado! Caminhemos juntos atrás do Senhor e deixemo-nos cada vez mais convocar por Ele, no meio do povo fiel, do santo povo fiel de Deus, da Santa Mãe Igreja. Obrigado!

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