Comunidade Católica Mar a Dentro

Artigos da comunidade › 03/07/2013

Felizes os que creem!

“Para encontrar o Deus vivo é necessário beijar, com ternura, as chagas de Jesus em nossos irmãos famintos, pobres, enfermos, prisioneiros. Ele era um cabeça dura. Mas, o Senhor escolheu precisamente um cabeça dura para fazer entender uma coisa tão nobre. Tomé viu o Senhor e foi convidado a colocar o dedo nas chagas do Senhor ressuscitado. Mas, foi mais além e disse ‘meu Senhor e meu Deus’. Assim, ele foi o primeiro dos discípulos a confessar a divindade de Jesus, depois da sua ressurreição. E o adorou!”
(Papa Francisco, 03/07/2013)

São Tomé é um dos doze apóstolos de Jesus, era ele também um pescador no lago de Genesaré. Sabemos que segundo uma antiga tradição, Tomé evangelizou primeiro a Síria e a Pérsia, depois foi até à Índia ocidental, de onde alcançou também a Índia meridional.

O seu nome deriva de uma raiz hebraica, ta’am, que significa “junto”, “gêmeo”. De fato, o Evangelho chama-o várias vezes com o sobrenome de “Dídimo” (cf. Jo 11, 16; 20, 24; 21, 2), que em grego significa precisamente “gêmeo”.

O Evangelho de João nos oferece diversas informações sobre Tomé: primeiro ele exorta aos outros Apóstolos, quando Jesus, num momento crítico de sua vida, decide ir a Betânia para ressuscitar Lázaro, aproximando-se assim perigosamente de Jerusalém. Naquela ocasião disse aos discípulos: “Vamos nós também, para morrermos com Ele” (Jo 11, 16). Esta sua determinação em seguir o Mestre é de grande exemplo e oferece-nos um precioso ensinamento: revela a disponibilidade total a aderir a Jesus, até identificar o próprio destino com o d’Ele e querer partilhar com Ele a prova suprema da morte. De fato, o mais importante é nunca separar-se de Jesus.

Uma segunda intervenção de Tomé encontramos na Última Ceia. Naquela ocasião Jesus, anunciando a sua partida iminente, anuncia que vai preparar um lugar para os discípulos para que também eles estejam onde Ele estiver; e esclarece: “Para onde Eu vou, vós sabeis o caminho” (Jo 14, 4). É então que Tomé intervém e diz: “Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?” (Jo 14, 5). Na realidade, com esta expressão ele coloca-se a um nível de compreensão bastante baixo, mas estas suas palavras fornecem a Jesus a ocasião para pronunciar a célebre definição: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6).

Muito conhecida é também a cena de Tomé incrédulo, oito dias depois da Páscoa. Num primeiro momento, ele não tinha acreditado que Jesus apareceu na sua ausência, e dissera: “Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito” (Jo 20, 25). No fundo, destas palavras sobressai a convicção de que Jesus já é reconhecível não tanto pelo rosto quanto pelas chagas. Tomé considera que os sinais qualificadores da identidade de Jesus são agora sobretudo as chagas, nas quais se revela até que ponto Ele nos amou. Nisto o Apóstolo não se engana. Como sabemos, oito dias depois Jesus aparece no meio dos seus discípulos, e desta vez Tomé está presente. Jesus interpela-o: “Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!” (Jo 20, 27). Tomé reage com a profissão de fé mais bela de todo o Novo Testamento: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28).

Nos diz Santo Agostinho: “Tomé via e tocava o homem, mas confessava a sua fé em Deus, que não via nem tocava. Mas o que via e tocava levava-o a crer naquilo de que até àquele momento tinha duvidado”.

Para concluir a nossa reflexão, é valido recordar os tês motivos pelos quais o Papa Bento XVI disse que o caso do Apóstolo Tomé é importante para nós: “primeiro, porque nos conforta nas nossas inseguranças; segundo porque nos demonstra que qualquer dúvida pode levar a um êxito luminoso além de qualquer incerteza; e por fim, porque as palavras dirigidas a ele por Jesus nos recordam o verdadeiro sentido da fé madura e nos encorajam a prosseguir, apesar das dificuldades, pelo nosso caminho de adesão a Ele”. (Papa Bento XVI – Audiência Geral – 27/09/2006).

André Maritan
Missão de Lugano 

Tags:

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.

maradentro@maradentro.com.br

(+55) 17 3222-4436

Newsletter

Receba as notícias no seu e-mail