Comunidade Católica Mar a Dentro

História da Devoção ao Coração de Jesus

A história da devoção ao Coração de Jesus é bastante rica e extraordinária, como nos tem lembrado frequentemente os Romanos Pontífices. É uma devoção que tem seu sólido fundamento nas Escrituras: Jesus mesmo se apresenta como “manso e humilde de Coração” (Mt. 11, 29). Podemos assim considerar que o primeiro devoto do Coração de Jesus foi o Apóstolo e Evangelista São João. É ele que descreve a lança no peito do Senhor (Jo 19, 31-37), do qual saíram sangue e água e a aparição do Senhor, quando depois da Ressurreição aparece a Tomé e o convida a colocar a sua mão no seu peito traspassado (Jo 20, 26-29)

A Idade Média foi uma época especialmente fecunda para o desenvolvimento da devoção ao Coração do Salvador. Homens ilustres pela sua doutrina e santidade, como São Bernardo (+1153) e São Boaventura (+1274) e místicos, muitas vezes desconhecidos, como Santa Lutgarda (+1246), Santa Matilde de Magdeburgo (+1282), as santas irmãs Matilde (+1299) e Gertrudes (+1302), Ludolfo de Saxónia (+1378), Santa Catarina de Siena (+1380), aprofundaram o mistério do Coração de Cristo no qual percebiam o “refúgio” onde esconder-se, o lugar de encontro com Ele, a fonte do amor infinito do Senhor, da qual brota a água do Espírito, a verdadeira terra prometida e o verdadeiro Paraíso.

São Francisco de Sales (1567-1622) e S. João Eudes (1601-1680), foram dois personagens que deram uma nova dimensão à devoção ao Sagrado Coração de Jesus. O primeiro imprime na Ordem da Visitação, por ele mesmo fundada em 1610, uma particular devoção ao Coração do Redentor e escreve às suas religiosas visitandinas, como “filhas do Coração de Jesus”. O segundo, S. João Eudes, além de propagar esta devoção, compôs um Ofício (Liturgia das Horas) e uma Missa em honra do Coração de Jesus, que foram celebradas pela primeira vez em localidades de França, em 1672.

Surge neste contesto uma figura muito importante na história desta devoção: Santa Margarida Maria Alacoque, da Ordem da Visitação (1647-1690). As revelações que o próprio Senhor fez a Santa Margarida Maria são um marco importante no conhecimento e na expansão da devoção ao Coração de Jesus.

Nosso Senhor apareceu numerosas vezes a Santa Margarida Maria (de 1673 até 1675). Destacaremos três, que são chamadas de “Grandes Aparições”.

A primeira foi em 27 de dezembro de 1673, estando Margarida em oração diante do Santíssimo Sacramento Jesus declara: “Meu Coração está tão apaixonado de amor pelos homens…” e mostrou-lhe o seu coração “como em trono, todo de fogo em chamas, a chaga aberta pelo soldado na cruz, aparecendo bem visível, estava cercado com uma coroa de espinhos e no alto uma cruz a mostrar que, desde que este Coração foi formado, a cruz esteve plantada nele…”.

A segunda aconteceu em 1674 onde o Divino Salvador pede a Margarida que supra a nossa ingratidão, pede-lhe em particular o exercício que mais tarde denominou-se “Hora Santa”. Jesus se revela com um amor tão grande, mas esse amor não é retribuído, mas sim, ofendido e desprezado.

A terceira grande aparição ocorreu na oitava da Festa do Corpo de Deus em junho de 1675. Jesus descobrindo o seu Divino Coração lhe diz: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia. Entretanto, o que Me é mais sensível é que há corações consagrados que agem assim. Por isto te peço que a primeira sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar Meu Coração, comungando neste dia, e O reparando pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto sobre os altares”.

Em 1856 Pio IX estendeu sua festa a toda a Igreja. Em 1899 Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus.

Portanto na sexta-feira seguinte ao segundo domingo depois de Pentecostes a Igreja celebra a solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Não há dúvida de que a devoção ao Coração do Salvador tem sido, e continua a ser, uma das expressões mais difundidas e amadas da piedade cristã. Entendida à luz da Sagrada Escritura, a expressão “Coração de Cristo” designa o mesmo mistério de Cristo, a totalidade do seu ser, a sua pessoa considerada no seu núcleo mais íntimo e essencial.

Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!

 Organização
André Luís Maritan Júnior
Missão de Lugano 

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.

maradentro@maradentro.com.br

(+55) 17 3222-4436

Newsletter

Receba as notícias no seu e-mail