Comunidade Católica Mar a Dentro

Artigos da comunidade › 23/12/2012

Quando a esperança renasce em nossos corações

Comumente, movemo-nos durante o trabalho semanal esperando o descanso do fim de semana que, para alguns, já começa na quinta-feira. Considerando o ano escolar, mais os estudantes que os pais, eles esperam especialmente as férias de fim e início de ano, e em especial, o esperado Natal.

O Natal não se resume em uma data, o 25 de dezembro, mais sim em um tempo especial no qual certos valores são revistos, pois se perdem ao longo do ano devido ao cansaço do trabalho, os desgastes nas relações e as dificuldades do dia-a-dia. Podemos, portanto, falar em um “tempo do Natal”, uma experiência repleta de emoções suscitadas pelas compras e trocas de presentes, pela preparação da Ceia, pela reunião da família, parentes e amigos, pelo convite à reconciliação e perdão; alguns sentem uma “emoção no ar”!

Se olharmos para o Natal apenas por esse viés, perderemos a oportunidade de compreender sua profundidade e importância. Começando pelo nome, ele nos recorda as palavras natalício e nascimento. Sua origem está na celebração na qual os cristãos comemoram o nascimento do Salvador da humanidade, do Filho de Deus, Jesus Cristo, e na espera de sua segunda e definitiva vinda, para a restauração do mundo sonhado por Deus, Seu Reino de justiça e paz para todos os povos. Para Igreja Católica Apostólica Romana, o termo “Tempo do Natal” é utilizado para designar um período específico do Ano Litúrgico antecedido pelo Advento (de quatro semanas) e pelas festas da Manifestação: Natal do Senhor, Sagrada Família, da Santa Mãe de Deus, Epifania e Batismo do Senhor.

Vimos que o tempo do Natal expressa um profundo anseio do coração do ser humano e realiza em parte esse anseio: um mundo sem violência, sem miséria e sofrimento. Mais do que a ausência do mal, ele nos permite experimentar a solidariedade, a alegria da partilha e do perdão. Se pudéssemos resumir tudo isso, diríamos que a cada Natal renasce em nossos corações a esperança de que um mundo melhor é possível e que depende de nós construí-lo com nossos esforços. Entretanto, para que este sonho se realize, não basta somente toda a vontade do coração humano, é necessário uma força maior, uma fé cuja base se encontra na certeza da presença de Deus em nossas vidas por meio do Seu Divino Espírito.

O Espírito Santo derramado em nossos corações nos permite agir como Jesus, fazendo a vontade do Pai. Assim agiram tantos homens e mulheres ao longo da história, dentre eles, o bispo São Nicolau, o santo mais venerado na Rússia, que manifestou amor, doçura e bondade ao socorrer tantas pessoas necessitadas. Assim como compreendemos o movimento de aproximação e festa no tempo do Natal, ao olharmos sua origem, assim também se dá com a figura do Papai Noel, ao nos voltarmos para a caridade praticada por São Nicolau pela fé em Jesus. O “bom velhinho” nos leva além da condição de trocarmos presentes entre familiares e amigos: somos convidados a ir àqueles que sofrem e precisam da nossa ajuda e atenção, não apenas nesse tempo privilegiado, mas durante o ano todo!

Sabemos que há muitas estruturas perversas que chegam a desanimar aqueles que fazem o bem. Sabemos que é do coração do homem que saem as coisas ruins (maldade, egoísmo, orgulho, avareza, vaidade, inveja, etc.). Os cristãos ao celebrarem o “Tempo do Natal” preparam o Presépio para recordar que Jesus veio para salvar a todos; também a árvore de Natal nos recorda Sua vinda definitiva, por isso ela é sempre verde, cor da esperança, e repleta de cores e luzes e presentes, lembrando-nos de Sua segunda e definitiva vinda e com ela, o mundo novo – “Esta é a tenda de Deus com os homens. Ele vai morar com eles. Eles serão o seu povo e ele, o Deus-com-eles, será o seu Deus. Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor. Sim, as coisas antigas desapareceram!” (Ap 21,3-4)

Celebrando como cristãos esse “Tempo do Natal”, permitamos que os nossos corações sejam renovados na esperança para que possamos sentir renascer, com a comemoração do nascimento de Jesus, o desejo da vida verdadeira para todos. E, já impulsionados pelo Espírito Santo para as obras de caridade em socorro aos mais pobres, os excluídos e marginalizados, que o mesmo Espírito suscite em nós o clamor que nos conduzirá à resposta do mais profundo anseio do coração humano: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,20).

 

Pe. Douglas Metran
Comunidade Católica Mar a Dentro
Casa de Missão de São José do Rio Preto

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