Comunidade Católica Mar a Dentro

Artigos da comunidade › 01/01/2013

Solenidade da Santa Mãe de Deus

O Culto a Maria

O Natal é uma das duas maiores festas do Ano Litúrgico. É a Celebração do grande mistério da Encarnação de Jesus Cristo, pois “O verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Por esse motivo é acompanhada por uma Oitava, ou seja, celebramos oito dias como se fossem apenas um, como se todos fossem 25 de Dezembro. A Oitava de Natal se encerra dia 01 de Janeiro, com a Solenidade da Santa Mãe de Deus.

A figura de Maria, já no Advento é muito importante, pois ela aparece como a primeira que acolheu o Messias. No Tempo do Natal, Nossa Senhora também se destaca em muitos momentos, como nos recorda o Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus. Ele escreve: “O Tempo do Natal constitui uma memória continuada da Maternidade divina, virginal e ‘salvífica’, daquela cuja ‘imaculada virgindade deu a este mundo o Salvador’. Assim, na Solenidade da Natividade do Senhor, a Igreja, ao adorar o divino Salvador, venera também a sua gloriosa Mãe; na Epifania do Senhor, ao mesmo tempo que celebra a vocação universal para a salvação, contempla a Virgem Maria, verdadeira Sede da Sabedoria e verdadeira Mãe do Rei, que apresenta à adoração dos Magos o Redentor de todas as gentes (cf. Mt 2,11); e na festa da Sagrada Família, Jesus, Maria e José (Domingo dentro da oitava da Natividade do Senhor), considera, venerável, a vida de santidade que levam, na casa de Nazaré, Jesus, Filho de Deus e Filho do homem, Maria, sua Mãe, e José, homem justo” (cf. Mt 1,19).

Nesse contexto, se faz muito importante a Solenidade da Santa Mãe de Deus, continua o Papa, pois “destina-se a celebrar a parte tida por Maria neste mistério de salvação e, a exaltar a dignidade singular que daí advém para a ‘santa Mãe, pela qual recebemos o Autor da vida’. É, além disso, ocasião propícia para renovar a adoração ao recém-nascido ‘Príncipe da Paz’, para ouvir ainda uma vez o grato anúncio angélico (cf. Lc 2,14), para implorar de Deus, tendo como medianeira a ‘Rainha da Paz’, o dom supremo da paz” (cf. Paulo VI, Exortação Apostólica Marialis Cultus, 5). Com esse intuito, Paulo VI instituiu esse dia como o ‘Dia Mundial da Paz’, proclamando a todos os povos que só Jesus é a verdadeira Paz.

Jesus Cristo, Deus e homem

Mãe de Deus é o correspondente ao termo grego Theotókos, ou ao termo latim Dei genitrix. Este dogma foi definido no ano 431, pelo Concílio de Éfeso. Naquela época discutia-se muito sobre a humanidade e a divindade de Jesus. Alguns hereges diziam que Jesus era somente Deus, descartando a sua humanidade, e existia por parte de alguns uma confusão muito grande nesse sentido. Contra essa visão, esse Concílio afirmou que Jesus é Deus e homem contemporaneamente, e que Maria, mãe de Jesus, é mãe de Deus, pois Jesus é o Filho de Deus encarnado.

A veneração que a Igreja tem por Maria se fundamenta nesse fato, de que ela é a mãe de Jesus Cristo e que foi escolhida por Deus para isso. Todos os outros dogmas ou títulos que atribuímos a Maria têm aí a sua razão de ser. Esse título tornou-se muito importante para a Igreja, pois afirma uma das verdades mais importantes do cristianismo, isto é, que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Com Maria, contemplar o mistério de Jesus

Constantemente invocamos Maria com esse título, quando rezamos a ‘Ave Maria’ e dizemos: ‘Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores…’, e mesmo na mais antiga oração mariana que conhecemos já existia essa invocação: ‘À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita’. Aqui vale o princípio que afirma que aquilo que cremos e aquilo que rezamos estão sempre em profunda consonância.

O que Maria disse no Canto do Magnificat: ‘Desde agora todas as gerações hão de chamar-me de bendita’ (Lc 1, 48) se torna realidade toda vez que a Igreja a invoca, pedindo sua intercessão ou celebrando sua memória. Assim, ao momento do Nascimento de Jesus, da sua Encarnação, se une a Solenidade da Divina Maternidade de Maria, aquela que disse ‘sim’ ao projeto da salvação: ‘Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua Palavra’ (cf. Lc 1,38).

O culto a Maria sempre nos leva à contemplação dos mistérios de Jesus, pois tudo nela é orientado a Jesus e depende dele. Quem louva a Mãe de Deus, louva a Deus que nela fez maravilhas, e se compromete a viver imitando a sua santidade. Celebrar Maria, a Mãe de Deus, que acolheu em seu ventre o Filho de Deus e gerou-o como dom para o mundo, é um convite para que cada cristão acolha a vida divina dentro de si e gere Cristo para o mundo, com seu testemunho de verdade e de caridade.

 

André de Moraes
Missão de Lugano – Suíça

 

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